Os melhores, os maiores, e os mais importantes


Diego Reyes, no início deste ano, disse ao jornal A Bola que estava “muito feliz de poder representar a equipa mais importante de Portugal”. Referia-se ao FC Porto. Ora, eu percebo que o miúdo seja miúdo e que normalmente – e principalmente – os jogadores da América do Sul que vêm para um dos 3 grandes começam sempre por enaltecer a grandeza do clube que os contratou. É normal, eles não conhecem o país… Mas o que não faz sentido é ver quem vive cá entrar nessas discussões. Limitando a discussão ao Porto e ao Benfica – pois o Sporting não só já viu melhores dias como ainda poderá ver piores – fica fácil e simples. Talvez até demais.
O que define a melhor equipa não é o que define a maior; e a mais importante é a soma das duas. A melhor equipa é, a meu ver, o Futebol Clube do Porto. Não tem a ver com o jogo jogado ontem ou há uma semana atrás, mas sim com o seu historial dos últimos 15/20 anos. E se alguém precisa de mais do que isso é melhor discutir no café porque eu já não entro em discussões do período do paleolítico.

A maior equipa é, sem dúvida, o Sport Lisboa e Benfica. Aqui não vejo como enganar… O que faz dele a maior? O número de jogadores? Se fosse de avançados no plantel, talvez… O número de bancos no estádio? Não deixa de ser o que tem maior capacidade. Então? É a que tem mais sócios e, a nível mundial, também parece estar muito bem cotada nesse aspeto. Qualquer um que ignore esse pormenor está a esquecer-se de que o futebol é para nós, que vemos, sentimos e discutimos, e não para os jogadores ou dirigentes.

O que nos leva à “questão” que Diego Reyes tomou como certa na sua naturalidade. Qual a equipa mais importante? Se não podemos somar as duas, porque são bem distintas neste momento, podemos avaliar o que aconteceria se alguma delas deixasse de o ser. O Porto e o Benfica são a equipa mais importante, e não façam confusões. No dia em que uma delas descer de divisão, entrar em crise financeira, for suspensa, ou “arder”, como alguns ignorantes do futebol tanto gostam de cantar, é um dia péssimo para o futebol português.

Se o Benfica descesse de divisão ou fosse suspenso, a cotação do futebol português desceria a pique. E será que o Diego Reyes, jogador cobiçado por tantos outros emblemas europeus, viria para um clube de um país onde uma das equipas mais importantes e com tanta história como o Benfica não estivesse em competição? Ou o Jackson Martinez, Danilo, Defour, Mangala, James Rodríguez? O contrário também se aplica! Palbo Aimar, Javi Garcia, Saviola, Cardozo, Garay, Matic, Gaitán, Salvio, Ola John, Rodrigo?

A “nossa” pontuação na Europa e no Mundo seria muito baixa. Demasiado baixa. Menos equipas nas competições europeias, menos contratações internacionais, mais poder para uma equipa apenas e hegemonia interna completa. As consequências seriam enormes.

O que Diego Reyes disse é normal no contexto da sua própria transferência. Mas todos nós deveríamos saber mais e melhor quando a conversa é a rivalidade norte-centro. Porque os bons, os maiores e os mais importantes complementam-se, e, como dizia Maquiavel, ninguém é rei se no seu reino não houver adversários para combater.

João Pedro Monteiro
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